terça-feira, 17 de novembro de 2009

E no fundo?


Nem sei como começar este texto..
Nem sei se ela fará algum sentido.. mas.. preciso de transmitir tudo o que ficou por dizer e ainda aqui rasga gavetas de recordações teimando em soltar em meus pensamentos tudo o que passamos..
Antes que rebente de mágoa e de tristeza, antes que os dias se sucedam num absurdo tão vazio e idiota que perca a vontade de viver, e apenas passe a existir..

Tenho na minha cabeça, tenho no meu coração, tenho na minha alma.. tenho em mim, uma espécie de diário da minha paixão contida por ti.. aquele que nunca quiseste ler e talvez decifrar!
Embora me tivesses alimentado a esperança de um futuro longínquo, que um dia talvez pudéssemos partilhar.. um projecto de vida a dois que nunca passou da minha imaginação ou do teu delírio :/
Mas de que vale o amor sem um futuro sonhado, mesmo que nunca se concretize? :s Toda a nossa existência tem por condição a infidelidade a nós próprios!
Fui por vezes na minha vida, infiel aos outros, mas sobretudo a mim própria! 
Quando me recusava a escutar o meu PRÓPRIO coração..
Olho para trás e vejo com tristeza que os meus erros contaminaram as recordações do tempo em que ainda não os havia cometido, e isso faz-me sentir culpada de coisas que não fiz… e aumentar a dor!
Por isso aplico a mim mesma uma espécie de autoflagelação.. esperando que a dor infligida apague a original, e quando a segunda se esfumar? Pouco mais reste da primeira… a não ser aquele sabor eterno e amargo de uma perda irreparável que irá sempre dar fé de si.
O primeiro erro que cometi? Foi ter-me apaixonado por ti. Não sei ainda hoje explicar o que me aconteceu.. é como se de repente tivesse saído de dentro de mim própria e assistisse ao desenrolar da paixão que crescia desmesuradamente, sem quereres ou saberes, tenhas tocado nos pontos cardeais da minha insegurança.. e deles se tivesse acendido uma luz que segui.. cega e surda, sem sequer pensar nas consequências do meu próprio caminho.. como os pirilampos numa noite de Verão à volta de uma lâmpada que alguém se esqueceu de apagar...
Mas o amor é mesmo assim: absoluto, estúpido e tudo menos sensato.
Ou talvez me tenha apaixonado apenas pela tua ternura, quando te tornaste real aos meus olhos.. eu te tenha adaptado a um ideal humanamente perfeito.. à luz do meu desejo.. á luz da minha procura..
De qualquer forma, apaixonei-me por ti e esse foi o erro primordial, o primeiro de todos! provavelmente o único importante porque foi um erro que deu resultado a outros erros, fazendo assim os ramos da árvore
que cada vez se alimentava mais com as tuas palavras, o teu beijo, a tua ternura, o teu encanto, o teu perfume, o teu sorriso, a tua maneira de me fazer rir, a tua estupidez, a doce cor de avelã do teus olhos, o teu abraço, o teu bom dia da manha, as tuas palavras pela tarde, o teu dorme bem e que era tudo pela noite e o teu amo-te sinfonético repetitivo pelos dias inteiros, semanas,.. meses fora..
O segundo erro, e deste assumo toda a culpa, foi não te ter escondido que te amava cada vez mais.
Queria-te tanto que pensei que isso te obrigaria a amar-me, e dares mais de ti.. Como fui burra e estúpida
O amor e a gratidão nada têm a ver um com o outro, embora ambos mascarem sentimentos de afecto.O amor não se procura.. ele simplesmente vem-nos parar às mãos e só amamos o que é diferente :a mesmo que nos pareça de algum modo semelhante…
Tu tens essa diferença, que me cativou. Tens o teu aroma que enfeitiçou.. Tens o teu coração que me denunciou 
Mas devia ter aprendido a escutar os teus sinais e a decifrá-los, antes de me denunciar com os meus, bem menos subtis..
Sou uma guerreira! O meu amor por ti foi a minha principal arma. O meu coração era o meu escudo, avançava sem lança nem capacete, caia e levanta-me as vezes que fossem precisas, mas não parava nunca. A não ser que o caminho se fechasse. Como assim aconteceu..
Quando te foste embora, percebi que a tua porta se tinha fechado e poderia ficar assim para sempre.
O coração quando se fecha faz muito mais barulho do que uma porta..e acredita.. oiço ainda o barulho do teu silêncio.. como uma pedra encostada à garganta
Mas talvez servi-se para aprender algumas coisas.. entre as quais que estar quieta também é uma acção! E ao ficar quieta, consegui parar de sonhar, e comecei a viver cada dia um atrás do outro, mais terra-á-terra!
A sair para a rua e respirar o ar aquecido pela luz do Sol como uma dádiva de Deus. Dar valor ás coisas mais insignificantes..
Mas no fundo tudo é diferente, nada é como antes.. é como uma fogueira sem lume, como um dia sem sol, como um pássaro sem asas, como uma bruxa sem vassoura, como um sapato sem par, como uma praia sem mar.. Nada me vai fazer tão depressa completar!
Quando sonhamos muito corremos o risco de deixar de viver neste mundo, passamos para outra dimensão e não raras vezes, transportamos connosco aqueles que mais amamos!
E aquilo com que sonhamos, passa a ser nosso desejo e é em função disso que respiramos, vivemos, adormecemos e acordamos. Passa a ser o nosso ‘’dia-a-noite’’..
O meu terceiro erro.. nós caímos num duplo equívoco: nunca acreditaste que eu gostasse de ti e cheguei mesmo a AMAR; nunca acreditei que me amasses tanto como dizias e afinal não chegaste sequer a gostar de mim
No amor, os homens são paranóicos e as mulheres obsessivas.
Eles não acreditam no amor delas e elas não admitem a falta de amor neles.
Amei-te de uma forma desajeitada, arrebatadora mas acima de tudo INCONDICIONAL, sempre querendo e desejando o melhor para ti.
O melhor, só tu mesmo poderás encontrar e hoje estou certa que não passa por mim, infelizmente!
Cada vez mais acredito que amar é dar.. e tudo o que não é dado, se perde
Com a morte deste meu amor por ti, morre também uma parte de mim ..
Algo que cujos contornos não consigo ainda delinear, sem forças para mais.. mas que com o tempo perceberei..
Quando a alma apaziguada fechar as feridas desta minha dor derrotada e passiva perante o teu silêncio e a tua mascarada indiferença que fazes questão em demonstrar..
Bem chegámos ao fim de um caminho. A partir daqui todas as palavras serão inúteis, mas para te ser sincera, nunca irei parar de lutar.. até porque um simples olhar vale mais que mil palavras..
Nunca saberei até que ponto ages com o coração.. ou apenas com a cabeça. Até que ponto te entregas ou apenas jogas. Até que ponto sentes e ages, ou apenas observas.
E é secalhar.. por nunca ter sabido quem és, que um dia te conseguirei esquecer!
Mas digo-te o que está a morrer, não é o meu sentimento por ti.. mas sim.. tu por mim!
Não és a pessoa que eu amei, não és a pessoa que eu conheci!
És aquele que esconde quem eu amo, e por isso talvez te sinta raiva.. que no fundo? No fundo é amor.

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