
"Foi-se tudo embora, eu sei . Eu sei que foi. Mas já não posso correr mais atrás, do que voa. Desenhei-te asas, asas lindas que podiam sonhar e do teu ninho, do alto carvalho , onde te instalavas, tu olhavas-me. Eras sincero, pássaro do tempo. Eu, a tua árvore, onde querias viver. Dizias-me, por essas pautas tão bonitas que cantavas, num chilrear profundo .
Davas-me os mais belos momentos, aqueles que me aquecias só de me olhares. Um dia, eu deixei de ser árvore, mas continuas-te em mim. Mudei-me para a casa à tua frente, a casa do teu jardim. Percebi, que ambos seguimos vidas separadas, vidas que muitas vezes não se cruzavam.
Mas eu continuava aí, a ir aí. A cortar-te os ramos que te impossibilitavam de procriar. Tu nunca voltavas. Já não cantavas para mim, já não corrias nem me pedias :''Desenha-me asas.'' Tu sabias, que já as tinhas, mas tu vias-te em mim.
Idealizavas-me as asas que sempre tives-te, e querias que eu te desenhasse umas. Umas de pétalas de orquídea branca, com um sombreado azul. Asas de esperança. Conheci-te na mais bonita Primavera, e na verdade, quando vivemos cada estação da nossa vida, pensamos que essa será a última. No Outono, deixei de te ver, muito menos do que já via.
Deixei de te ver, por completo. O ninho caiu, e tu foste embora. Nunca soube realmente aquilo que nos separou. Mas tu , devias saber que tudo o que fiz, foi por ti. Nunca por mim . E se um dia tivesses em consideração isso, sei que as tuas asas esvoaçariam no céu o meu nome, para eu saber onde estavas.
Como já te disse, pensamos sempre que cada estação da vida, nunca há-de existir mais, mas na verdade, voltei outra vez a ter uma Primavera, um verão e novamente este Outono que tanto me relembra a tua partida . Foste-te retirando cada pedaço de mim, de ti, aos poucos.
E quando as folhas começaram a cair, os ramos ficaram levemente despidos , tu foste-te embora.
Hoje estava a olhar a janela que me direccionava sempre a ti, onde vinhas ter à minha mão. Encontrei lá, um pequeno pássaro caído.
Era um filho do tempo, alguém que desaprendera a voar. Percebi que eras tu, finalmente, tinhas voltado a casa. Mas desta vez, não me pediste as asas, eu já as tinha, para ti. Por vezes, os pássaros são pessoas, que nos pedem tudo e nós temos sempre mais para dar . Quando lhes chega, vão embora. Um dia, perdem outra vez, e voltam. Voltam com a sinceridade, da saudade."
Davas-me os mais belos momentos, aqueles que me aquecias só de me olhares. Um dia, eu deixei de ser árvore, mas continuas-te em mim. Mudei-me para a casa à tua frente, a casa do teu jardim. Percebi, que ambos seguimos vidas separadas, vidas que muitas vezes não se cruzavam.
Mas eu continuava aí, a ir aí. A cortar-te os ramos que te impossibilitavam de procriar. Tu nunca voltavas. Já não cantavas para mim, já não corrias nem me pedias :''Desenha-me asas.'' Tu sabias, que já as tinhas, mas tu vias-te em mim.
Idealizavas-me as asas que sempre tives-te, e querias que eu te desenhasse umas. Umas de pétalas de orquídea branca, com um sombreado azul. Asas de esperança. Conheci-te na mais bonita Primavera, e na verdade, quando vivemos cada estação da nossa vida, pensamos que essa será a última. No Outono, deixei de te ver, muito menos do que já via.
Deixei de te ver, por completo. O ninho caiu, e tu foste embora. Nunca soube realmente aquilo que nos separou. Mas tu , devias saber que tudo o que fiz, foi por ti. Nunca por mim . E se um dia tivesses em consideração isso, sei que as tuas asas esvoaçariam no céu o meu nome, para eu saber onde estavas.
Como já te disse, pensamos sempre que cada estação da vida, nunca há-de existir mais, mas na verdade, voltei outra vez a ter uma Primavera, um verão e novamente este Outono que tanto me relembra a tua partida . Foste-te retirando cada pedaço de mim, de ti, aos poucos.
E quando as folhas começaram a cair, os ramos ficaram levemente despidos , tu foste-te embora.
Hoje estava a olhar a janela que me direccionava sempre a ti, onde vinhas ter à minha mão. Encontrei lá, um pequeno pássaro caído.
Era um filho do tempo, alguém que desaprendera a voar. Percebi que eras tu, finalmente, tinhas voltado a casa. Mas desta vez, não me pediste as asas, eu já as tinha, para ti. Por vezes, os pássaros são pessoas, que nos pedem tudo e nós temos sempre mais para dar . Quando lhes chega, vão embora. Um dia, perdem outra vez, e voltam. Voltam com a sinceridade, da saudade."
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